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um fim seguro ou a história das primeiras primárias abertas da democracia portuguesa

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As pessoas vão voltar à política ou a política vai voltar às pessoas. Mais cedo ou mais tarde acontecerá. É inevitável. A dúvida residirá através de quem, de que organização, com que protagonistas e quando no tempo, em que momento exacto? O fim (há já muito) anunciado de António José Seguro enquanto Secretário-Geral do Partido Socialista poderá ser o início desse marco histórico na Democracia Portuguesa. Injustamente para o TóZé e seus compagnons de route (gosto particularmente do António Galamba).

O PS, de António José Seguro, ganhou estrondosamente as Eleições Autárquicas há menos de um ano, garantindo o melhor resultado de sempre em número de municípios. O PS, de António José Seguro, acaba de ganhar as Eleições Europeias com quase uma mão cheia de pontos percentuais sobre uma aliança de dois partidos, derrotando sozinho toda a direita em Portugal. O PS, de António José Seguro, em menos de um ano, faz com que a Direita do PSD e do CDS tenham os piores resultados de sempre.

Mas não chega. É pouco. Fica aquém. E não se pede mais, exige-se mais!

E é neste momento e com estas ideias de “inconseguimento a la Esteves” que ficam (e não com o efeito Marinho Pinto) que percebemos que a política dos partidos e nos partidos tem que mudar. Porque as pessoas não querem Marinho Pinto como Primeiro-Ministro. As pessoas não querem ter de votar novamente numa figura pública dos programas da manhã. Com este “não chega, é pouco” que fica das duas grande vitórias do “TóZé” é que as pessoas querem escolher, se não os líderes dos partidos, pelo menos os seus candidatos à Governação do país. E prova viva disso mesmo é que os Portugueses já foram mais longe e fizeram o bypass ao Secretário-Geral do PS e já escolheram o próximo Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa. E engravidámos assim das primeiras Primárias da Democracia Portuguesa.

Só pela lógica da organização partidária é que António Costa terá de ser primeiro Secretário-Geral e só depois candidato a Chefe de Governo ainda que já anunciado vencedor. Porque para Portugal e para os Portugueses o importante não é o Secretário-Geral do Partido, mas sim quem liderará o país. E para as pessoas, António José Seguro até podia coordenar o PS, mas não o país.

Assim, da gravidez se dará o nascimento das Primárias. Foram as pessoas que escolheram António Costa. Não foi o PS. Não foram os militantes do Partido. Não foi o aparelho. Foram as pessoas. Foi o país. Fomos nós todos, cidadão deste grande Portugal que dissemos “queremos que seja aquele”, agora o PS que se desenrasque. E, depois disto, o aparelho do Partido Socialista terá duas hipóteses: continuar a insistir num sistema operativo prestes a ser descontinuado, repleto de bugs e erros fatais, ou ser o primeiro a dar o salto que se pede aos partidos e aos políticos e lançar-se no desenvolvimento de uma nova forma de se estar na política? A parte mais difícil foi entregue de bandeja pelos Portugueses que disseram inequivocamente “queremos que seja assim e que seja aquele”. Por isso, nem haverá grandes riscos do protótipo falhar. E um Partido democrata, que existe para servir as pessoas, não terá como não ouvir este repto, nem tão pouco terá como fugir a esta responsabilidade que rebenta com todos os cânones da sua organização.

Há cerca de 5 anos atrás, estava ainda José Sócrates no Governo, quando afirmei publicamente que António Costa viria a ser provavelmente o primeiro Primeiro-Ministro pedido e eleito pela mão das pessoas antes de este lhes chegar a elas pela mão de um Partido. E escrevi-o então. Hoje, continuo convencido disso mesmo. Que o será pela mão das pessoas e preferencialmente com a camisola e os ideais da Social Democracia Socialista. Porque se não o for será com a de um PRD ou de um MPT e eu espero que o meu PS saiba ler esta intervenção afirmativa do país.

E não sendo justo para António José Seguro o desfecho anunciado, nem tão pouco a metodologia a que a organização dos partidos obriga, não o é mesmo, será quase inevitável o final de um ciclo. Assim como se prevê o início de uma nova era política, não do Costa mas das pessoas.

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local, nacional

marca de beja premiada no xvi concurso do clube de criativos de portugal

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A marca DE BEJA foi distinguida pelo Clube de Criativos de Portugal naquele que é o maior e mais prestigiado Concurso de Criatividade em Portugal. Sim, é verdade, no mais prestigiado concurso de criatividade do país. Primeiro num bolo de mais de 700 trabalhos submetidos  pelas melhores agências e criativos para as maiores e mais prestigiadas marcas nacionais e internacionais e depois numa shortlist de cerca de 300, a nova marca DE BEJA arrecadou o prémio com o projeto de rebranding da identidade DE BEJA materializado pela Ivity, a qual foi  considerada a Agência de Design do ano. Um grande feito. Uma marca de uma cidade foi distinguida entre os tubarões do design, da publicidade e do marketing. Pelos tubarões da criatividade e entre os tubarões de marcas de renome nacional e internacional.

O projeto de rebranding da ID DE BEJA foi distinguido pelo seu todo. Não foi o B de Beja. Não é essa a marca, não é, nem foi esse o projeto. Não é esse o conceito inovador por detrás do projeto. O “B” é a base de todo um sistema de comunicação icónico-verbal que projeta a marca DE BEJA e todos os seus ativos, materiais ou imateriais, com uma chacela de certificação de qualidade de origem. DE BEJA, pois claro. O Castelo DE BEJA, as Pessoas DE BEJA, os Vinhos DE BEJA, as Festas DE BEJA, os Barros DE BEJA, o Património DE BEJA, os Amores DE BEJA, o Sol DE BEJA, a Alma DE BEJA, os mais de 2.500 anos de História DE BEJA (…) . Assim, da muralha da História surgiu um símbolo de uma marca moderna, orgulhosa do seu passado mas erguida sob uma torre de modernidade com vista para todos os futuros.

A capacidade de geração de novos ícones e encaixe no sistema, assim como a possibilidade de construir novas interpretações sem se perder a essência da marca, são características que a distinguem e a tornam única e de todos e para todos. O sistema contem ainda a adaptação da marca para o público infantil, através do B desenhado do BEJA KIDS, que foi um sucesso no evento com o mesmo nome integrado nas Experiências a Sul. Porque o público infantil também é DE BEJA e também se sente DE BEJA.

As possibilidades de promoção permitidas, não só pelo design como pelo conceito de afirmação da cidade e do concelho DE BEJA, pela Denominação de Origem do território, pela originalidade e qualidades únicas dos seus produtos materiais e imateriais, são quase infinitas e necessitam de vida. De vidas. De camisola vestida. De campanhas. De ideias. De energias. De orgulhos. De almas…

… sem esquecer que o mais importante não é Beja orgulhar-se de um determinado slogan ou de ter uma alma que de um dia para o outro diz que quer ser criativa. O mais importante é ser DE BEJA. Seja o que for ou quem for. Seja por aquilo que for ou por quem for, através de quem quer que seja. Tem de ser DE BEJA. O resto são assinaturas que passam consoante os ventos que sopram se não forem alicerçadas o bastante para não serem nem passageiras, nem vazias.

A todos aqueles que contribuíram para este sucesso, o meu muito obrigado enquanto bejense de corpo e alma. Obrigado, obrigado, obrigado.

Notas:

. este projeto foi co-financiado em 85% pelo QREN custando à Câmara Municipal valores abaixo de simples campanhas de orgulhos em mandatos anteriores com fins e ganhos pouco claros para o munícipe;

. voltarei em breve ao tema da marca e da promoção da marca e do território;

 

 

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Felizmente que agora já está tudo bem!

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(artigo de opinião de Jorge Pulido Valente para o Correio Alentejo)

Passados seis meses da tomada de posse do novo executivo municipal presidido por João Rocha do PCP, felizmente que já está tudo bem.
O executivo maioritário decide, sem consultar os restantes vereadores nem a assembleia municipal, extinguir a empresa municipal Inovobeja, que gere as candidaturas comunitárias, e despedir os seus três funcionários sem sequer lhes dar uma palavra de explicação, mas agora já está tudo bem!
A EMAS já não vai investir na segunda fase da renovação das redes de água na cidade e nas freguesias rurais, nem na requalificação do depósito da Praça da República, aumenta dividas e prazo de pagamento aos fornecedores, mas em contrapartida paga ilegalmente a festa da passagem de ano, mas agora já está tudo bem!
As juntas de freguesia viram aumentadas as suas competências e, consequentemente, as suas despesas e a Câmara, proporcionalmente, reduz as transferências no âmbito dos protocolos, mas agora já está tudo bem!
As colectividades, ao contrário do que lhes foi prometido, não viram aumentados os apoios financeiros, mas agora já está tudo bem!
Os clubes desportivos, embora a época esteja a chegar ao fim, ainda não receberam os subsídios, não sabem quanto nem quando vão receber, mas agora já está tudo bem!
Deixam-se cair projetos estratégicos e respetivos financiamentos comunitários por desleixo, incompetência e falta de visão, mas agora já está tudo bem!
O CEBAL, o Conservatório Regional e outras instituições estão sem receber as transferências da autarquia há meses, mas agora já está tudo bem!
Os funcionários do Museu Regional e da Cimbal tiveram salários em atraso e têm os próximos vencimentos em risco, mas agora já está tudo bem!
Há mais de uma dezena de funcionários da câmara que foram destratados e descriminados, apenas por razões políticas, e estão na prateleira, mas agora já está tudo bem!
As obras que estavam em curso no final do mandato anterior foram suspensas sem explicações e tiveram que ser pagas indemnizações aos empreiteiros, mas agora já está tudo bem!
São feitos ajustes diretos com empresas exteriores à região (mas com ligações ao presidente) para a realização de dois estudos idênticos, que já existem, mas agora já está tudo bem!
Os apoios às micro e médias empresas, através de reduções e isenções de taxas municipais, foram extintos, mas agora já está tudo bem!
O presidente da câmara está mais vezes ausente do que presente nos eventos para que é convidado, mas agora já está tudo bem!
Os vereadores da oposição não têm acesso à informação financeira nem lhes são fornecidos os documentos e os processos solicitados, nem sequer, atempadamente a documentação para as reuniões de câmara, mas agora já está tudo bem!
Deixou de se estimular e promover a participação e discussão publica, sendo tudo decidido unicamente pelo presidente, mas agora já está tudo bem!
Os investimentos nas acessibilidades rodoviárias e ferroviárias e os serviços sociais, de saúde e educação vão sendo reduzidos pelo Governo e o executivo municipal maioritário mantém um silêncio cúmplice, mas agora já está tudo bem!
Agora, com a alma criativa de Beja, felizmente, já está tudo bem!

in Correio Alentejo
http://www.correioalentejo.com/?opiniao=1204&page_id=56

(foto editada a partir de ionline)

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